Durante entrevista concedida ao programa “Bom Dia, Ministro!”, o titular do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, minimizou os recentes episódios de conflitos por terra no Sul da Bahia. A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensão no campo baiano, apesar disso, em resposta ao jornalista João Tramm, da Rádio Excelsior, o ministro enquadrou o movimento como repercussão da reforma agrária.
“Estamos comprando, por exemplo, aquelas terras da Suzano. Já compramos sete fazendas. Parte nós compramos, parte a Suzano doou na negociação, porque eram terras públicas. Vamos prosseguir. Conversei com o governador Jerônimo Rodrigues, que foi muito bacana conosco. Vamos visitar três áreas de assentamentos da Reforma Agrária”, afirmou o ministro.
Em abril, produtores rurais e representantes do setor agropecuário denunciaram um aumento nos casos de invasões de propriedades, especialmente em áreas do Sul e Extremo Sul do estado. Uma CPI na Assembleia Legislativa da Bahia chegou a ser aprovada, mas foi impedida após o Tribunal de Justiça da Bahia entender que o assunto é de debate federal. Na última semana, após audiência pública realizada no Congresso Nacional.
Durante o discurso da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), o presidente da entidade, Humberto Miranda cobrou ações do governo federal e dos parlamentares: “Viemos pedir socorro”. Segundo a Faeb, mais de 50 propriedades foram invadidas entre janeiro e abril de 2024, afetando pequenos, médios e grandes produtores.
Ainda no “Bom dia, Ministro!”, Teixeira também rememorou que, em governos anteriores, os conflitos fundiários na região chegaram a mobilizar a atuação da Força Nacional, em meio a impasses entre estados e a União. Segundo ele, a atual gestão federal busca resolver essas disputas de forma negociada e pacífica, em parceria com os movimentos sociais e governos locais. “O que se quer no governo do presidente Lula é paz. Fala para eles que assombração não existe”, concluiu.
Relação com MST
O ministro ainda comentou sua relação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a qual classificou como similar a uma panela de pressão. No fim de maio, lideranças do grupo chegaram a solicitar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a substituição do ministro.
“Compreendo o papel dos movimentos sociais de pressionar. Eu tenho um amigo, que faleceu recentemente, que dizia: ‘Política é como feijão. Só cozinha na panela de pressão’”, afirmou o ministro. “O papel do movimento é de pressionar e o papel do Executivo é de entregar. O importante no nosso governo é poder, depois que terminar o governo, ter o mesmo respeito que a gente tem dos movimentos sociais”, declarou
Segundo Teixeira, o governo federal tem compromisso com a reforma agrária, tendo como meta entregar até o fim de junho 16 mil parcelas de terra destinadas ao assentamento de famílias sem acesso à terra. “Nós já pusemos, até esse ano, R$ 1,1 bilhão para compra de terras e também estamos usando terras públicas e terras que são de adjudicação e voltamos a assentar famílias”, finalizou.
Ele também criticou gestões anteriores — sem mencionar diretamente os ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL) ou Michel Temer (MDB) — ao afirmar que a política de reforma agrária esteve “estagnada por uma década”. De acordo com o ministro, a atual administração retomou os investimentos no Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), incluindo a contratação de 700 novos servidores.









