Tesouro IPCA+ em patamar histórico pode elevar custo do crédito e reduzir investimentos na Bahia, alerta especialista

Economia

As taxas oferecidas pelo Tesouro Direto alcançaram um dos níveis mais elevados das últimas décadas. Em julho, os títulos do Tesouro IPCA+ passaram a oferecer uma rentabilidade real próxima de IPCA + 8,2% ao ano, percentual considerado incomum para uma aplicação de baixo risco. Apesar de representar uma oportunidade para investidores, especialistas baianos chamam atenção para os reflexos desse cenário na economia real.

Na Bahia, onde 77,3% das famílias de Salvador possuem algum tipo de endividamento — o maior índice registrado em mais de 15 anos, de acordo com levantamento da Fecomércio-BA —, os juros elevados tendem a tornar o crédito ainda mais caro, desestimular investimentos produtivos e dificultar a expansão das empresas.

Para o economista, MBA em Macroeconomia e CEO da Ônix Capital, Vinicius Assis, os efeitos desse movimento vão além do mercado financeiro e atingem diretamente a atividade econômica.

“Quando o investidor consegue dobrar seu patrimônio em poucos anos aplicando em um dos ativos mais seguros do mercado, sem gerar empregos, assumir riscos ou investir na economia real, isso cria uma distorção. Poucos negócios no Brasil conseguem entregar uma rentabilidade semelhante. Não é um ambiente saudável para um país que precisa estimular produção, geração de renda e crescimento econômico”, afirma.

Bolso do consumidor

O especialista explica que a remuneração dos títulos públicos serve como referência para praticamente toda a estrutura de juros da economia brasileira. Assim, quando o governo aumenta o retorno oferecido para captar recursos, o custo do dinheiro também sobe para bancos, empresas e consumidores.

Segundo Vinicius Assis, esse impacto é sentido principalmente por pequenos empresários e por famílias que dependem de financiamentos ou de linhas de crédito.

“A Selic é apenas o ponto de partida. Sobre ela existe uma cadeia de custos, riscos e margens incorporadas pelas instituições financeiras. Hoje, mesmo quando o crédito é aprovado, não é raro encontrar operações acima de 2% ao mês. Para quem precisa de financiamento para investir ou reorganizar as contas, muitas vezes a dívida se torna impagável”, destaca.

Na prática, esse contexto reduz o consumo, dificulta a realização de novos investimentos e aumenta o risco de inadimplência, sobretudo em regiões onde o endividamento das famílias já é elevado.

Para Assis, o atual nível dos juros também cria uma concorrência desfavorável para os setores produtivos.

“A questão principal é que hoje o investidor consegue obter uma rentabilidade que poucos negócios brasileiros entregam. O dinheiro naturalmente busca a melhor relação entre segurança e retorno. Com a renda fixa pagando tão bem, o apetite para financiar novos empreendimentos diminui significativamente”, conclui.

Sobre a Ônix Capital

Com quase uma década de atuação no mercado financeiro e cerca de R$ 1 bilhão sob custódia, a Ônix Capital oferece soluções integradas em investimentos, crédito estruturado, financiamento imobiliário, seguros, planos de saúde empresariais e planejamento patrimonial.

A empresa também tem ampliado sua atuação em oportunidades de renda fixa internacional, proporcionando acesso a estratégias de diversificação e proteção patrimonial no mercado norte-americano.

 

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