Jerônimo Rodrigues se retrata após repercussão de declaração sobre Bolsonaro

Política
Matheus Landim/GOVBA

O governador baiano Jerônimo Rodrigues (PT) voltou atrás e se retratou nesta segunda-feira (5), após ser duramente criticado por uma fala feita na última sexta-feira (2), durante visita ao município de América Dourada. Na ocasião, o petista mencionou “levar para a vala” o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus apoiadores, o que provocou reações imediatas por parte da oposição.

Parlamentares da base bolsonarista reagiram com indignação. Entre os que condenaram o discurso estão os deputados estaduais Samuel Júnior (Republicanos), Diego Castro (PL) e Leandro de Jesus (PL). Este último chegou a protocolar, na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), um pedido formal de afastamento do governador por suposta incitação à violência.

Durante uma visita às obras do Teatro Castro Alves, em Salvador, Jerônimo tentou esclarecer sua posição, rechaçando qualquer interpretação de que teria desejado a morte de adversários políticos. “Eu não falaria jamais algo desse porte. Nós, inclusive, criticamos de forma muito veemente a forma como alguém deseja a morte de outro, como foi o caso do desejo da morte do presidente Dilma. Quem me conhece sabe, eu sou uma pessoa religiosa, sou uma pessoa de família, eu não vou nunca tratar qualquer opositor com o tratamento deste”, declarou.

No documento enviado à Alba, Leandro de Jesus afirma que as palavras do governador ultrapassam os limites aceitáveis do discurso político. Para ele, “tal manifestação do governador, revestida de nítido conteúdo simbólico e literal de incitação à violência, extrapola os limites da liberdade de expressão, configurando potencial estímulo à eliminação física de opositores políticos. A utilização de imagens como retroescavadeiras e valas comuns remete a práticas de extermínio e viola frontalmente os princípios constitucionais da dignidade humana, da liberdade de consciência e do pluralismo político”.

Jerônimo reiterou que sua fala foi tirada do contexto, que era de crítica à gestão federal da pandemia de Covid-19, e não um ataque pessoal a Bolsonaro ou seus eleitores. “Foi descontextualizada [a fala], eu apresentei anteriormente a minha ‘inconformação’, a minha indignação como o país estava sendo tratado e dei o exemplo da pandemia, quando 700 mil pessoas morreram por conta de atitudes de um governo federal. Portanto, a indignação foi por isso. Se o termo vala e o termo tratou foi pejorativo, foi muito forte, eu peço desculpa, o termo não foi a intenção”, acrescentou o governador.

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