Ex-chefe dos Bombeiros contesta exoneração durante cerimônia de passagem de comando

Política
José Souza/GOVBA

A cerimônia de troca de comando do Corpo de Bombeiros da Bahia, realizada nesta segunda-feira (31), no Instituto Militar de Ensino Superior de Bombeiros (Imesb), em Simões Filho, ficou marcada por um pronunciamento inesperado do ex-comandante, coronel Adson Marchesini, direcionado diretamente ao governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Ao deixar a liderança da corporação, Marchesini fez um questionamento público a Jerônimo sobre as razões de sua exoneração, destacando que a decisão do governador “doeu muito nele”. Sua atitude surpreendeu os presentes, que reagiram com total perplexidade.

“Não vou mentir ao senhor, não. Fiquei muito triste. Não tenho aquele sentimento de raiva, mas é um sentimento de dor. Porque, o que foi que eu errei para ser exonerado do Corpo de Bombeiros? Saí para trabalhar de manhã, como sempre, e, quando deu 16h, me chamaram para me dizer que eu não era mais comandante dos Bombeiros. Isso me doeu muito. Isso, com todo carinho que tenho pelo senhor, me machucou muito. Eu não dormi aquela noite buscando uma resposta. Me doeu demais”, declarou ao passar o comando para o coronel BM Aloísio Mascarenhas Fernandes, acrescentando que, pela primeira vez, presenciou ‘a filha chorar muito’.

Diante da manifestação do ex-comandante, Jerônimo permaneceu impassível, mantendo o olhar fixo nele enquanto a plateia de autoridades acompanhava a cena. Entre os presentes estavam o secretário de Segurança Pública, Marcelo Werner, o chefe do Ministério Público estadual, procurador Pedro Maia, além da tropa do Corpo de Bombeiros. O episódio gerou um embaraço sem precedentes tanto para a corporação quanto para o governo estadual. Após o evento, Marchesini foi acusado de desafiar seu superior hierárquico, embora o tom emotivo de seu discurso tenha amenizado a percepção de afronta, posicionando-o como alguém que se sentiu traído.

A exoneração do coronel ocorreu dentro de um conjunto de mudanças promovidas pelo governador na cúpula da segurança pública, com o objetivo de alinhar a estrutura ao comando do secretário da pasta. Por essa razão, suas declarações foram interpretadas como um reflexo do sentimento de insatisfação compartilhado por outros que também foram retirados repentinamente de seus cargos. Nos bastidores, o governo foi criticado por não ter buscado alternativas para realocar os substituídos em novas funções. Além disso, a proximidade excessiva de alguns integrantes das forças de segurança com o vice-governador Geraldo Jr. (MDB) teria sido um dos fatores que motivaram as alterações promovidas por Jerônimo.

O novo comando encontrou, por exemplo, cinco veículos do Corpo de Bombeiros sendo usados irregularmente por parentes do vice-governador, o que, segundo assessores, foi visto por Jerônimo como um ato de deslealdade. Geraldo Jr., por sua vez, acompanhou toda a situação mantendo uma expressão impassível.

Veja também