O Ministério Público da Bahia (MP-BA) apresentou denúncia contra o deputado estadual Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD), e contra o tenente-coronel da Polícia Militar José Hildon Brandão por participação em um esquema de lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, o parlamentar seria o chefe de um grupo miliciano atuante em Feira de Santana. A apuração foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
Conforme a denúncia, o oficial da PM teria facilitado operações financeiras suspeitas ao aceitar pagamentos em dinheiro vivo, dificultando a comprovação da origem dos valores. Um dos indícios apontados pelo Gaeco envolve a compra de um terreno, realizada em setembro de 2022, com valores pagos em espécie e sem documentação adequada. Além disso, foi identificada outra transação suspeita: a aquisição de um veículo em janeiro de 2023, também com parte do pagamento feito em dinheiro, sem comprovação da procedência dos recursos.
As investigações indicam que o deputado comanda uma organização criminosa há mais de dez anos, envolvida em crimes como agiotagem, receptação qualificada e exploração de jogos de azar. O tenente-coronel, por sua vez, teria atuado para ocultar bens adquiridos de forma ilícita pelo grupo.
A denúncia faz parte de um novo desdobramento da Operação El Patrón, iniciada em dezembro de 2023 pelo MP-BA em parceria com a Polícia Federal, Receita Federal e a Força Correicional Especial Integrada (Force) da Secretaria de Segurança Pública (SSP). Durante a operação, foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva e 33 de busca e apreensão. As autoridades também determinaram o sequestro de imóveis urbanos e rurais e a suspensão das atividades de seis empresas ligadas ao esquema. Ao todo, 15 pessoas já foram denunciadas ao longo da investigação.
O MP-BA solicitou à Justiça a permanência do afastamento cautelar do tenente-coronel de suas funções na Polícia Militar, além do bloqueio de bens dos acusados para garantir a reparação de danos causados. Os promotores apontam que os investigados teriam ocultado a origem criminosa de um lote localizado no bairro Papagaio, em Feira de Santana, adquirido com recursos do grupo comandado pelo deputado.