Após suspensão do transporte coletivo, Semob e Coronel Paulo Coutinho trocam farpas

Segurança, Transporte
Divulgação / Semob

A interrupção do transporte coletivo em três regiões de Salvador, na quinta-feira, 23, devido a episódios de violência, resultou em uma troca de declarações entre o comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, coronel Paulo Coutinho, e a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob).

Em conversa com a Rádio Sociedade da Bahia, o coronel Paulo Coutinho criticou diretamente o protocolo seguido pela Semob em situações de violência, argumentando que a suspensão dos serviços afeta negativamente a população e desconsidera a presença do reforço policial nas áreas impactadas. Por sua vez, a Semob lamentou as declarações do comandante durante a entrevista, defendendo que qualquer interrupção do transporte público motivada por atos violentos ou ameaças tem como objetivo principal proteger a vida dos motoristas, passageiros e garantir que o serviço possa ser retomado de forma segura nas áreas atingidas.

O secretário Fabrizzio Muller afirmou que o transporte coletivo só retorna às localidades após a existência de condições de segurança suficientes. “E não basta a presença da polícia na entrada do bairro. Afinal, em dois anos, 14 ônibus foram perdidos por ações criminosas. Não sei se o Coronel Coutinho sabe, mas quando um dos ônibus elétricos operados pelo Governo da Bahia foi queimado, o serviço foi suspenso na Avenida Suburbana pela própria gestão estadual durante uma semana”, destacou Muller.

O que disse a PM-BA

Na manhã de quinta-feira, 23, três localidades de Salvador enfrentaram a suspensão do transporte público em decorrência de relatos de violência. Segundo a Semob, no bairro Santa Cruz, o atendimento foi interrompido por volta das 8h30 após ameaças de incêndio a veículos. Em Vila Verde, a circulação foi suspensa às 9h devido a um tiroteio, enquanto no bairro Coração de Maria, os ônibus deixaram de circular desde a noite de quarta-feira, 22, também por conta de confrontos armados, com os veículos acessando apenas a entrada da região.

O comandante-geral da PM, no entanto, questionou o procedimento adotado pela secretaria em situações como essas. Em entrevista, Paulo Coutinho afirmou que a suspensão do transporte coletivo impacta diretamente a população e não condiz com o nível de segurança proporcionado pela Polícia Militar.

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